Eu fui o 1º aluno matriculado no Ateneu. Lembro como se fosse ontem. Meu pai era amigo do velho Simão e me lembro de ter meio que sido pedido a me retirar do Werneck. Quando atravessamos a rua, alí na Paulo Barbosa, e meu pai encontrou com o Simão numa loja que ele tinha alí, ele comentou com ele, que disse: procura meu filho, ele está abrindo um colégio na Koeller. Não deu outra! Depois chamei o resto da turma: Henrique Vaz de Melo, Nino, Piriquito, Joe, quem mais? Tenho que forçar um pouco a memória. Eramos uma turma de mais ou menos uns 13. Essa 1ª turma era especial e pôde desfrutar de uma liberdade incrível. Mas depois vieram os inspetores, o colégio cresceu e virou outra coisa. Me lembro que tínhamos aula no telhado, aulas de capoeira, aulas ao ar livre. O 1º time de professores era ótimo. Todos jovens e de cabeça bem aberta. As aulas quase sempre transcorriam em troca de idéias e experiências. Aprendi muito alí.
E o bagulho rolava solto, mas na boa, sem hipocrisias. Me lembro que nos encontrávamos antes de ir a escola para fumarmos hum, coisa da boa que hoje só tem fora do Brasil!
Me lembro que certa vez numa festa no Clube Monte Libano, eu já um pouco por mais da conta, encontrei com o Ronaldo Simão e com a Angela Werneck (O Werneckão gostava muito de mim, me segurou lá o quanto pode), e não pude me conter, me dirigi aos dois e falei: graças a Deus sou uma pessoa bem forte. Sabe dona Angela, estudei no seu colégio desde pequeno até a minha adolescência, sim eu era muito levado, mas um ótimo aluno. Mas sabia que eu me lembro até hoje da frase que nos davam nos eternos castigos? "Há certos indivíduos que se assemelham à um rio, cuja superfície é clara e límpida, porém, o seu fundo é sujo e lodoso". Ora isto é frase que se dê para uma criança de 9 anos escrever todo dia por anos à fio?
Carlos A. Sylvynho Lima
Carlos A. Sylvynho Lima
