Era um garoto que como eu amava os Beatles

Era uma mistura de ator, músico, professor, amigo, irmão mais velho, popstar, tudo isso e mais um pouco. Do ginásio ao ensino médio, dava aulas de português, literatura e inglês que faziam até os doidões das últimas filas de nossa turma de 1º ano científico, na maior sala das cocheiras, prestarem atenção nas explicações da diferença entre romantismo e ser romântico, enchendo de poesia nossa explosão de curiosidade e hormônios. 

Foi no Hamlet, que ouvi dele em inglês, ainda nas turmas intermediárias, a linda história do Happy Prince, que ele nos contou com belíssima interpretação de ator shakespeariano, nos conduzindo às muitas faces de Oscar Wilde, de quem sempre nos aproximou, como dileto pupilo: “And the Swallow kissed the Happy Prince on the lips, and fell down dead at his feet”...a turma que era só de garotas, terminou aquela tarde como se saísse do cinema, limpando os olhos das lágrimas da triste história de amor entre um passarinho e uma velha estátua.

Luis Paulo nos ensinava Literatura, nos situando sobre a história da época. Aprendi com ele muita História (que também aprendi com Zeca). Nos ensinava inglês com bom rock’n roll e cantava pequenos trechos dos sucessos da época para explicar estruturas do idioma. Dele ouvi muita poesia, literatura e música da boa que povoaram de riqueza cultural a minha juventude. Acho que foi o professor mais carismático que conheci, talvez porque mais que ator, músico ou professor, Luis Paulo era um garoto que como nós, amava os Beatles e os Rolling Stones.


Adelia Di Buriasco

O primeiro aluno do Ateneu

Eu fui o 1º aluno matriculado no Ateneu. Lembro como se fosse ontem. Meu pai era amigo do velho Simão e me lembro de ter meio que sido pedido a me retirar do Werneck. Quando atravessamos a rua, alí na Paulo Barbosa, e meu pai encontrou com o Simão numa loja que ele tinha alí, ele comentou com ele, que disse: procura meu filho, ele está abrindo um colégio na Koeller. Não deu outra! Depois chamei o resto da turma: Henrique Vaz de Melo, Nino, Piriquito, Joe, quem mais? Tenho que forçar um pouco a memória. Eramos uma turma de mais ou menos uns 13. Essa 1ª turma era especial e pôde desfrutar de uma liberdade incrível. Mas depois vieram os inspetores, o colégio cresceu e virou outra coisa. Me lembro que tínhamos aula no telhado, aulas de capoeira, aulas ao ar livre. O 1º time de professores era ótimo. Todos jovens e de cabeça bem aberta. As aulas quase sempre transcorriam em troca de idéias e experiências. Aprendi muito alí.

E o bagulho rolava solto, mas na boa, sem hipocrisias. Me lembro que nos encontrávamos antes de ir a escola para fumarmos hum, coisa da boa que hoje só tem fora do Brasil!

Me lembro que certa vez numa festa no Clube Monte Libano, eu já um pouco por mais da conta, encontrei com o Ronaldo Simão e com a Angela Werneck (O Werneckão gostava muito de mim, me segurou lá o quanto pode), e não pude me conter, me dirigi aos dois e falei: graças a Deus sou uma pessoa bem forte. Sabe dona Angela, estudei no seu colégio desde pequeno até a minha adolescência, sim eu era muito levado, mas um ótimo aluno. Mas sabia que eu me lembro até hoje da frase que nos davam nos eternos castigos? "Há certos indivíduos que se assemelham à um rio, cuja superfície é clara e límpida, porém, o seu fundo é sujo e lodoso". Ora isto é frase que se dê para uma criança de 9 anos escrever todo dia por anos à fio?

Carlos A. Sylvynho Lima

Valores e talentos

A construção da vida é feita de pequenas grandes coisas.  Se consegui me formar em bailarina, foi graças a essa grande escola, pois estudava ballet no Rio e muitas vezes não assistia a última aula, e os professores e colegas me ajudavam na recuperação da matéria, isso por ser uma escola onde os valores e talentos pessoais dos alunos eram valorizados, assim alunos felizes.

Hoje mais do que nunca, valorizo esse nosso passado e encantado Ateneu.

Rosa Guerra Peixe Muller


Uma forma ou uma fôrma de educação?

Atualmente, sou professor, ator e músico, com grande influência do Professor Luís Paulo, of course, my horse, e entendo que havia ideologia, sincera e honesta, por trás do produto, serviço e trabalho oferecido no Ateneu. Afinal, educar não é adestrar. Estamos lidando com seres humanos e não com animais irracionais. 

Hoje, entendo que se esse projeto Ateneu estivesse presente nos dias de hoje, teríamos uma escola alternativa de alto nível, comparada à Escola da Ponte de Portugal. Chega de oprimir, reprimir, limitar, descaracterizar, bitolar, emburrecer, formatar, programar, impessoalizar, anular a identidade das pessoas através da Educação. Tratamos a criançada, a garotada como coisas e bichos, e depois surge a indisciplina, e a gente fica se queixando. Não acredito que a política de não reprovar seja errada. Com trabalhos para compensar a nota, estamos educando de verdade. 

As nossas escolas ainda estão nos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX, XX... O que temos de século XXI nelas? Alguma tecnologia? Computadores, softwares? Só isso? E a postura? E os espaços? E o tratamento? Está tudo vencido. A disposição das carteiras nos remete ao teatro italiano, muito útil ao Império Romano, doutrinando e programando os seus soldados somente para obedecer e não questionar. O que é isso? Uma forma ou uma fôrma de educação? Estamos humanizando ou coisificando, bestializando, animalizando a nossa "clientela"? Todos estão de acordo com a estupidez de adequar, ou melhor, moldar toda a nossa vida aos anseios da mentalidade e voracidade e maquinização reforçadas pela Revolução Industrial, que perdura até os dias de hoje? Tudo e todos são mercadoria, para o mercado?


Edison Yammine

Olimpíadas

Wilson Quintella trouxe fotos de Olimpíadas no Ateneu.

Quem mais tem fotos daquele tempo?



Os primeiros anos do Ateneu

Os três primeiros anos foram os mais fantásticos. Lembro de uma simulação de júri que fizemos no auditório. Acho que o Luis Antonio também participou. Foi no primeiro ano da Escola. Aí não dá pra não lembrar do Danton e sua linda irmã Cláudia. Lembro também de alguns alunos do primeiro ano de Ateneu que marcaram minha história: Tereza Caminha, hoje casada com o Julinho, carioca, recém chegada do Rio; Vera gaúcha, filha da Prof Beatriz que era a coordenadora da tarde, Jorge Deister, que parece ter herdado a oficina mecânica do tio e com quem me peguei de porrada aos 12 anos por causa de uma bola. Ronaldo Simão chamou os dois na sua sala e ficamos no estudo dirigido por uma semana. Que castigo! Kkkkk, 

Lembro que você e sua turma, Luiz Antônio Mamede, que estavam na sétima série, e mais a moçada da oitava, acho que o Ayres era dessa turma, Jorginho Salgado também, resolveram transformar o porão em um grêmio estudantil. Trouxeram um monte de tinta velha de casa e deram umas "roladas" na parede. Não passou disso... Havia sempre muita gente que chegava de fora e vinha pra nossa escola. Dava um ar cosmopolita ter pessoas de todo o lugar, intercambstas que acabavam de voltar como o Roberto Guinle ou o Vinicius Cony... Pessoas muito diferentes... Minha amiga Dibele que já partiu pra outra dimensão, sempre de livro na mão... Lembrei também da Mildred Knox, "Dorinha" figurinha muito legal que veio direto da praia pro primeiro ano... Tinha o pessoal de Correas e Itaipava, geralmente com vidas familiares alternativas.

Fizemos o ensino médio profissionalizante. Eu fiz o tradutor intérprete: aulas de francês, inglês, literatura inglesa. Líamos Oscar Wilde em inglês. Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa eram estudados com uma profundidade que encontrei posteriormente na Faculdade.

Doris chegou a trabalhar conosco gravidade num embrião de laboratório que não me lembro se teve continuidade depois... Ah, e no primeiro ano de Ateneu, ainda no ensino fundamental, podíamos optar por educação física ou yoga com o professor João, um monge budista sensacional que, nos finais de semana, ainda dava aulas para nossas mães. Com relação ao Zé Roberto Melo, o achava um grande professor mas hoje, quando acendo os faróis de ré da memória, penso de quanto problema ele se livrou por não conhecermos a palavra bullying na época... Tinha um colega que se sentava atrás durante todos os anos de escola que só me lembro do apelido: Pastel... Não sei se foi dado pelo Zé, mas ele repetia com muito prazer, enquanto fazia uma chamada que durava, muitas vezes 30 minutos... A Mariléa, outra colega de sempre no Ateneu, ia toda maquiada, no salto... Quem estudou na minha turma ou em alguma sala perto, se lembra dele cantando com toda rapaziada: Mariléa, lėa, léa, léa... A sua pele me incendéa, léa, léa, léa... Uma vez, emprestei um livro prô Zé.... Quando cobrei sabe o que ele me disse? Existem dois tipos de otário... Os que emprestam livros e os que os devolvem... Nunca me devolveu... FDP... Kkkkk....Mas , ao mesmo tempo, nos orientou num trabalho sobre "evolução social" através de pesquisa em revistas que foi demais... Para os que fizeram... 

Havia, antes de tudo, no Ateneu, liberdade! Liberdade inclusive para querer ou não aprender. Durante meus anos no Colégio, passei com minhas irmãs, um ano no EPA. Nossos pais ficaram preocupados com os rumos da Escola em sua rota de liberdade... Lembro que naquela escola tinha um professor que eu gostava muito: o Prof Gil Mendes... Ele enchia o quadro de giz com fatos históricos. O caderno da gente virava um livro... Não aprendi nada.... Kkkkk..... Por que o mistério desse processo ensino-aprendizagem passa por essa familiaridade que tivemos em nossa Escola. Talvez não estivéssemos preparados como alunos, como pais, como professores, para aquela experiência se solidificar...Por isso hoje só temos as lembranças.

Tete Di Buriasco