Os primeiros anos do Ateneu

Os três primeiros anos foram os mais fantásticos. Lembro de uma simulação de júri que fizemos no auditório. Acho que o Luis Antonio também participou. Foi no primeiro ano da Escola. Aí não dá pra não lembrar do Danton e sua linda irmã Cláudia. Lembro também de alguns alunos do primeiro ano de Ateneu que marcaram minha história: Tereza Caminha, hoje casada com o Julinho, carioca, recém chegada do Rio; Vera gaúcha, filha da Prof Beatriz que era a coordenadora da tarde, Jorge Deister, que parece ter herdado a oficina mecânica do tio e com quem me peguei de porrada aos 12 anos por causa de uma bola. Ronaldo Simão chamou os dois na sua sala e ficamos no estudo dirigido por uma semana. Que castigo! Kkkkk, 

Lembro que você e sua turma, Luiz Antônio Mamede, que estavam na sétima série, e mais a moçada da oitava, acho que o Ayres era dessa turma, Jorginho Salgado também, resolveram transformar o porão em um grêmio estudantil. Trouxeram um monte de tinta velha de casa e deram umas "roladas" na parede. Não passou disso... Havia sempre muita gente que chegava de fora e vinha pra nossa escola. Dava um ar cosmopolita ter pessoas de todo o lugar, intercambstas que acabavam de voltar como o Roberto Guinle ou o Vinicius Cony... Pessoas muito diferentes... Minha amiga Dibele que já partiu pra outra dimensão, sempre de livro na mão... Lembrei também da Mildred Knox, "Dorinha" figurinha muito legal que veio direto da praia pro primeiro ano... Tinha o pessoal de Correas e Itaipava, geralmente com vidas familiares alternativas.

Fizemos o ensino médio profissionalizante. Eu fiz o tradutor intérprete: aulas de francês, inglês, literatura inglesa. Líamos Oscar Wilde em inglês. Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa eram estudados com uma profundidade que encontrei posteriormente na Faculdade.

Doris chegou a trabalhar conosco gravidade num embrião de laboratório que não me lembro se teve continuidade depois... Ah, e no primeiro ano de Ateneu, ainda no ensino fundamental, podíamos optar por educação física ou yoga com o professor João, um monge budista sensacional que, nos finais de semana, ainda dava aulas para nossas mães. Com relação ao Zé Roberto Melo, o achava um grande professor mas hoje, quando acendo os faróis de ré da memória, penso de quanto problema ele se livrou por não conhecermos a palavra bullying na época... Tinha um colega que se sentava atrás durante todos os anos de escola que só me lembro do apelido: Pastel... Não sei se foi dado pelo Zé, mas ele repetia com muito prazer, enquanto fazia uma chamada que durava, muitas vezes 30 minutos... A Mariléa, outra colega de sempre no Ateneu, ia toda maquiada, no salto... Quem estudou na minha turma ou em alguma sala perto, se lembra dele cantando com toda rapaziada: Mariléa, lėa, léa, léa... A sua pele me incendéa, léa, léa, léa... Uma vez, emprestei um livro prô Zé.... Quando cobrei sabe o que ele me disse? Existem dois tipos de otário... Os que emprestam livros e os que os devolvem... Nunca me devolveu... FDP... Kkkkk....Mas , ao mesmo tempo, nos orientou num trabalho sobre "evolução social" através de pesquisa em revistas que foi demais... Para os que fizeram... 

Havia, antes de tudo, no Ateneu, liberdade! Liberdade inclusive para querer ou não aprender. Durante meus anos no Colégio, passei com minhas irmãs, um ano no EPA. Nossos pais ficaram preocupados com os rumos da Escola em sua rota de liberdade... Lembro que naquela escola tinha um professor que eu gostava muito: o Prof Gil Mendes... Ele enchia o quadro de giz com fatos históricos. O caderno da gente virava um livro... Não aprendi nada.... Kkkkk..... Por que o mistério desse processo ensino-aprendizagem passa por essa familiaridade que tivemos em nossa Escola. Talvez não estivéssemos preparados como alunos, como pais, como professores, para aquela experiência se solidificar...Por isso hoje só temos as lembranças.

Tete Di Buriasco
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário