Uma forma ou uma fôrma de educação?

Atualmente, sou professor, ator e músico, com grande influência do Professor Luís Paulo, of course, my horse, e entendo que havia ideologia, sincera e honesta, por trás do produto, serviço e trabalho oferecido no Ateneu. Afinal, educar não é adestrar. Estamos lidando com seres humanos e não com animais irracionais. 

Hoje, entendo que se esse projeto Ateneu estivesse presente nos dias de hoje, teríamos uma escola alternativa de alto nível, comparada à Escola da Ponte de Portugal. Chega de oprimir, reprimir, limitar, descaracterizar, bitolar, emburrecer, formatar, programar, impessoalizar, anular a identidade das pessoas através da Educação. Tratamos a criançada, a garotada como coisas e bichos, e depois surge a indisciplina, e a gente fica se queixando. Não acredito que a política de não reprovar seja errada. Com trabalhos para compensar a nota, estamos educando de verdade. 

As nossas escolas ainda estão nos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX, XX... O que temos de século XXI nelas? Alguma tecnologia? Computadores, softwares? Só isso? E a postura? E os espaços? E o tratamento? Está tudo vencido. A disposição das carteiras nos remete ao teatro italiano, muito útil ao Império Romano, doutrinando e programando os seus soldados somente para obedecer e não questionar. O que é isso? Uma forma ou uma fôrma de educação? Estamos humanizando ou coisificando, bestializando, animalizando a nossa "clientela"? Todos estão de acordo com a estupidez de adequar, ou melhor, moldar toda a nossa vida aos anseios da mentalidade e voracidade e maquinização reforçadas pela Revolução Industrial, que perdura até os dias de hoje? Tudo e todos são mercadoria, para o mercado?


Edison Yammine
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