Professor Bernardo dava aula de Educação Moral e Cívica, onde falava de patriotismo, costumes e tradições. Matéria complicada em tempos de ditadura militar. Todos os anos dava as boas vindas aos alunos, apresentando o que seria discutido ao longo do ano com uma historinha que espelhava o regime militar (ou qualquer outro poder) e que nunca esqueci porque se repetia a cada mês de março: “Pois é, quando vocês saiam com suas mães para visitar uma amiga ela fazia todas aquelas recomendações: sente-se direito, cumprimente todos com gentileza, não peça para repetir o que lhe oferecerem. Aí ela e a amiga comiam uma caixa inteira de bombons enquanto falavam mal das vizinhas, dos maridos e das outras amigas. E vocês sentados em um canto assistiam a tudo com bons modos e fome por não aceitarem nada do que era oferecido”.
Após 10 minutos de história ele comentava: “Viram? quando comecei a contar a história, uns mexiam no cabelo, outros sacudiam os pés, mordiam a caneta, mas agora a sala está completamente quieta enquanto vocês se identificam com o que estou falando.” E era assim que conquistava alunos novos em um primeiro encontro para falar dos valores de um Brasil que inspirava pouco patriotismo num momento em que ouvíamos os casos de torturas e prisões de conhecidos ou amigos de nossos pais. Volta e meia vejo o Professor Bernardo de cabelos brancos, andando no centro de Petrópolis e um dia desses tive a oportunidade de lhe contar essa recordação.
Será que mais alguém se lembra dessa aula?
Adelia Di Buriasco
Nossa! Como é bom lembrar das aulas do Bernardo e de todos os professores do Ateneu. Lá eu me sentia numa instituição acadêmica de verdade onde os ensinamentos eram passados com prazer e grande conhecimento.
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